terça-feira, 5 de janeiro de 2010

DOES ARTISTIC PRODUCTION END WITH DEATH?

Entrevista feita com o Andy Warhol via medium via internet. Um webchat do além! E o Oliver...o Oliver!!!!! Põe seu dedinho aqui ó.

YOU'RE RETRO!

PLANETA DIÁRIO

Ver coisas bonitas • ler mais • organizar todos os papéis • fazer tudo no presente • dizer coisas bonitas • 2 cigarros por dia • academia • sair pra ver o sol • escrever uma página por dia • passear com o Pepe • passear comigo • idealizar menos • encarar mais • dizer o quanto gosto para quem eu gosto • esquecer o passado • viver o presente • acabar com todas as expectativas • sorrir sem receio do barulho • comer de boca aberta quando tiver vontade • ir ao clube • ouvir • ficar em silêncio tranquilamente • respirar mais • exercer a flexibilidade em todas as áreas • relativizar • agir • pensar • me olhar sem desconfiança e sem medo • focar • relaxar • beber mais água • dormir no meio da cama.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

VAI

"...o que vês,
escreve-o num livro,
envia-os às 7 igrejas..." apoc 1,11

Estou com uma luz piscante há tempos ali, nalgum lugar entre as orelhas, me empurrando para páginas em branco, desejosas do bailado macio de canetas em sapatilhas de ponta. Se faltar assunto, serve também olhar o calhamaço de folhas, guardanapos e pedaços de papéis anônimos que guardam textículos, fragmentos de idéias, idéias, frases e um ou outro pensamento escorregadio que ali caiu. Às vezes é quase impossível não anotar um pensamento. Quando estou muito enlouquecido, eles escapam dos meus ouvidos como nuvens de vapor; não tenho como vedá-los, e mesmo se quisesse, eles escapariam pelos meus dedos, quentes, gasosos e rarefeitos.

Mas esses não são mesmo os melhores. São quase impossíveis de registrar e duram quase nada na folha. Gosto dos que escorrem pelos ouvidos e dos que caem como maçãs maduras. Os que escorrem, encontro pela manhã, espalhados pelo travesseiro como decalques. Palavras, um punhado delas. Os sólidos, descem pelo pescoço, escorregam pelo ombro, contornam o cotovelo, guiam o punho, se apropriam da minha mão e me fazem escrevê-los todos. Até acabar. Até que o silêncio das juntas e cartilagens digam fim.

Tomo ar para começar.

Vou escrever um livro.

É NÓIS


Não sou muito de ficar mostrando as coisas que faço. Até deveria. Mas hoje entrei no site da Laundry e vi de novo o ensaio da coleção de verão que fotografei com a Pati. Vanessa Rozan linda como sempre. Adorei fazer, amei o resultado...E adorei a trilha. Se quiser ver e ouvir, clica aqui.

Kristof Kintera

ENCONTRO

De quem vai e não diz se ou quando volta
De quem já deveria ter ido
De quem vem, com brilho no olhar
De quem é só partida e solidão
Dos que se cansaram de nomes
Daquele que, ainda distante, está e é
De quem não tem chão, nem estrelas, nem bolhas de sabão
Da coragem com a oportunidade
Das tantas noites insones
Dos diários imaginários
Dos dedos dos pés em covinhas e encostas macias
De toda sorte
Da firmeza de um sim
Da superstição com a fé
Da sua mão com a minha
Da orelha com a pele da nuca
De toda a gente que se gosta
Dos graus de separação
De São Paulo e Estocolmo
Do signo com o sol no meio do céu
Do paladar com a língua úmida
De quem é só parte
De novo.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

2009

QUASE COISA

Durma-se com um barulho desses. Na cabeça uma ladainha de 12 meses que não cansa. O zumbindo intermitente dos ouvidos soa como bálsamo quando, distraída, a cacofonia de vozes, lamentos, lembranças melódicas e sussurros traiçoeiros descança temporariamente no fundo movediço do meu córtex dormente. Queria ser outro, queria ser parecido comigo novamente.

Queria que saísse de mim toda essa pele que não me serve mais. Unhas, escamas, dentes e penas também. Esse ano impregnado como lodo, essa quase fé, quase esperança enevoada, indo e voltando sem nunca se mostrar completamente. E o gosto de nicotina rejeitada emplastrado nas papilas degustativas cansadas de dizer quero, não quero.

Nunca dormi tão bem. Talvez por querer dormir sem parar. Apagar os dias e vivenciar o vão entre dormir e estar acordado me sentindo inteiro, apto, disposto e confiante. Esse ano saindo como um escarro que não me deixa respirar. Essa quase coisa que me prende e me deprime e me enoja e me choca e me assusta. Daí fazer o amor (?) parecer com algo indecifrável e ameaçador. Talvez não tenha aprendido nada. Talvez seja só isso mesmo. Ou mais: tentar achar sentido numa coisa que simplesmente não faz nenhum.

Cachorro atrás do rabo, insetos em volta da lâmpada.

Não, obrigado.


sábado, 10 de outubro de 2009

POW! WOW!

"U can find me in da club...

LIL' KID


Fico pensando em alguma música que pudesse postar aqui a sua letra e me abster do compromisso de escrever aqui algo inteligente, perspicaz ou engraçadinho. Não pensei em música melhor que não escrever nenhuma letra de música. Nos últimos meses enfrentei uma persistente turbulência em todos os aspectos da minha vida. Já nem sabia direito como me chocar com tantos obstáculos à frente. Cúmulos nimbos multiplicando-se como o vapor da chaleira que tantos litros de chá ferveu pra mim.

Hoje o horizonte está me parecendo mais limpo. Já posso ver um bocado de céu e vou em frente. A apatia se encolhe perto de uma vontade cada vez maior. Já não fico mais sob endredons pesados, amortecendo o mundo lá fora, quero voar. Trocadas as penas, bata asas.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

INTIMIDADE

Miranda July

MALLEUS MALEFICARUM

Fiz tudo num dia só: li algumas entrevistas do Lars Von Trier, tentei saber do que se tratava o filme e ao fim do dia, fui, hesitante, experimentar o Anticristo. Digo experimentar porque foi que senti ao me levantar da poltrona em direção às luzes lá fora. A sala de cinema ficou por um par de horas mais escura do que costuma ser e o silêncio dentro dela também surpreendeu. Por um pouco mais de uma centena de minutos o ar ficou mais denso, quase concreto.

Eu me surpreendi muito. Já nos primeiros minutos. Händell, preto e branco, sexo e um sexo balançando na nossa cara; pensei que o Sr. Von Trier não tem nenhum medo de correr riscos. A grandiloquencia desse prólogo exageradamente belo poderia facilmente ofuscar o que viria depois, pensei roendo unhas. Mas ele suprpreende, com uma câmera leeenta estetizada, forçando a gente a acreditar que ele realmente tá se levando a sério. Alguém disse numa das críticas que esse prólogo era uma chatice publicitária e eu acho que este desatento não sacou a fina ironia do Von Trier.

FEMALE TROUBLE

E desde o início também gostei da sensação boa de estar vendo um teatro. Os planos, os enquadramentos, o ritmo, o uso de elementos de outras linguagens e a própria narrativa é tudo teatro. A todo momento vinha alguma coisa a me lembrar de Artaud, Beckett, Strindberg, Jean Cocteau... Um monólogo em que o diretor é também ator ou está em cena. Senti um pouco disso no personagem do Willen Dafoe; tomando as rédeas dos sentimentos dela, guiando, orientando, dando prazos. E ela, se submetendo a uma relação hierárquica, dependente de aprovação a todo tempo.

Ao contrário de tudo que li antes sobre o filme, acho que é um filme de amor. Da natureza do amor como algo desconhecido e ameaçador. Um abismo. Negando o conhecimento pela experiência, a personagem entra no delírio de uma mênade enlouquecida, inflingindo-se toda espécie de castigos típicos de seus carrascos. Vingando-se dos seus algozes em si mesma, indo contra a natureza; sua natureza de mãe, de esposa e principalmente de mulher. E contar essa história da forma como ela é contada é um grandissíssimo mérito. Depois de uma breve bode do Sr. Von Trier, eu, satisfeito, volto a tê-lo como um dos meus prediletos.



THE FANTASTIC TAVERN

Durante a independência da Georgia de 11918-1921, Tbilisi, a capital, tornou-se a “Paris” do Leste, onde uma inspirada comunidade artística não só desenvolveu novas práticas artísticas como colaborativamente produziu incríveis obras de arte. Eu amo essa instalação cenográfica. Me lembra muito a Merzbau do Kurt Schwitters. Tá na minha listinha de referências de cenografia.

BLOODY FEELINGS