
Antes de ser quem eu era hoje, pensei que talvez todas as dúvidas do mundo pudessem se encerrar num punhado de areia seca escorrendo pelos meus dedos. Mas não. Elas surgem e proliferam como um vapor denso, como nuvens; nunca sabemos ao certo de onde elas veem. Agora, sentado no trono intangível e enevoado de uma ausência, vejo - ou tento ver em meio ao nevoeiro - que minha força, meus super-poderes se foram. Eu era algo mais que um capítulo de uma história de amor. História de amor é um pretexto pra outras histórias. O meio, nunca o fim.
Depois de uma crise, a experiência aparece como uma faixa de Miss Simpatia que ninguém almeja; surge como um prêmio de consolação tardio depois de um esforço hercúleo para se ter, entender, compartilhar e manter uma relação. Em meio aos personagens interpretados e desejosos de audiência, história de amor é um livro, uma música.
Aliso a testa franzida e tensa com as costas da mão e pisco em câmera lenta. Adormece algo em mim. Meus olhos tateiam o ar concreto sem distinguir nada à frente. Minha visão. Minhas mãos. Meu dicernimento.
Delete.
História de amor é epílogo moto-perpétuo, ó Super-Homem.