quarta-feira, 27 de agosto de 2008

OVER THE RAINBOW


Cola lá pra ver a curadoria de livros que foi feita por este que vos escreve. Tem um monte de coisas incríveis pra todos os bolsos e feitios. Voilá!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

FEMALE LANDSCAPE

LANDSCAPE WITH MICKEY

ÍNDIO DA COSTA

Ontem um amigo me falou de uma Ong internacional que organiza mutirões para construção de escolas, hospitais, abrigos e afins na África. Mal ele terminou de falar eu já me via com uma pá sob o implacável sol da costa sul-africana. Empolguei total. Seis meses na África, fora da metrópole, falando outra língua, trabalhando que nem peão. Um sonho. Pensei se por aqui também não poderia fazer o mesmo...acho que a distância, a língua, o trabalho, o esforço fazem da África o lugar ideal pra uma temporada em outro planeta, sei lá. Ao invés de ir à Índia ou ao Tibet em busca de uma resposta preguiçosa na meditação, um campo de trabalho pesado, braçal, quase auto-flagelante. No meu sonho é assim. Alguém sabe onde se precisam erguer escolas, não monumentos; hospitais, não palácios; abrigos, não igrejas? Tô indo.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

OLHA EU AQUI!


Lembro da infância, quando uma prima distante, sacaneando, me chamava 'bonitão da bala Chita'. Adorava o chocho. Em mais um capítulo da série "Vou me livrar de tudo que não uso mais", achei essa embalagem numa agenda de 1996. A agenda foi pro lixo reciclável mas a embalagem da bala Chita vai esperar os próximos capítulos...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

UNTITTLED #8


Seguindo o conselho do Marcelo Negri sobre o Deleted Images - é, ainda não catei o fundamento de como por link aqui - vou postando umas imagens que fiz por aí. É o que tem pra hoje.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

TEATRO DO ABSURDO

(O Sr. e a Sra. Martin sentam-se frente a frente, sem se falarem. Sorriem um para o outro, timidamente. O diálogo que se segue deve ser dito com voz arrastada, monótona, meio cantante, sem nuances)

SR. MARTIN – Desculpe, minha senhora, mas me parece, se não estou enganado, que a conheço de algum lugar.

SRA. MARTIN – Eu também, meu senhor, parece que o conheço de algum lugar.

SR. MARTIN – Por acaso, minha senhora, eu não a teria visto em Manchester?

SRA. MARTIN – É bem possível. Eu sou da cidade de Manchester! Mas não me lembro muito bem, meu senhor, eu não poderia dizer se o vi ou não!

SR. MARTIN – Meu Deus, que curioso! Eu também sou da cidade de Manchester, minha senhora!

SRA. MARTIN – Que curioso!

SR. MARTIN – Que curioso! … Só que eu, minha senhora, saí de Manchester há mais ou menos cinco semanas!

SRA. MARTIN – Que curioso! Que estranha coincidência! Eu também, meu senhor, saí da cidade de Manchester há mais ou menos cinco semanas.

SR. MARTIN – Peguei o trem das 8 e meia da manhã, que chega em Londres às 15 para as 5, minha senhora.

SRA. MARTIN – Que curioso! Que estranho! E que coincidência! Eu também peguei o mesmo trem, meu senhor.

SR. MARTIN – Meu Deus, que curioso! Então, minha senhora, talvez eu a tenha visto no trem?

SRA. MARTIN – É bem possível, pode ser, é plausível, e, afinal, por que não!… Mas eu não me lembro disso, meu senhor!

SR. MARTIN – Eu estava viajando de segunda classe, minha senhora. Não existe segunda classe na Inglaterra, mas assim mesmo eu viajo de segunda classe.

SRA. MARTIN – Que estranho, que curioso, e que coincidência! Também eu, meu senhor, estava viajando de segunda classe!

SR. MARTIN – Que curioso! Talvez nós tenhamos nos encontrado na segunda classe, minha cara senhora!

SRA. MARTIN – É bem possível, pode ser. Mas eu não me lembro muito bem, meu caro senhor!

SR. MARTIN – Meu lugar era no vagão número 8, 6o. compartimento, minha senhora!

SRA. MARTIN – Que curioso! Meu lugar também era no vagão número 8, 6o. compartimento, meu caro senhor!

SR. MARTIN – Que curioso e que estranha coincidência! Talvez nós tenhamos nos encontrado no 6o. compartimento, minha cara senhora?

SRA. MARTIN – É bem possível, afinal! Mas eu não me lembro, meu caro senhor!

SR. MARTIN – Para falar a verdade, minha cara senhora, eu também não me lembro, mas é possível que tenhamos nos visto lá, e, pensando bem, a coisa me parece mesmo bem possível!

SRA. MARTIN – Oh! Realmente, é claro, realmente, meu senhor!

SR. MARTIN – Que curioso!… Meu lugar era o número 3, perto da janela, minha cara senhora.

SRA. MARTIN – Oh, meu Deus, que curioso e que estranho, meu lugar era o numero 6, perto da janela, em frente ao senhor, meu caro senhor.

SR. MARTIN – Oh, meu Deus, que curioso e que coincidência!… Nós estávamos então frente a frente, minha cara senhora! É aí que devemos ter-nos visto!

SRA. MARTIN – Que curioso! É possível mas eu não me lembro, meu senhor.

SR. MARTIN – Para falar a verdade, minha cara senhora, eu também não me lembro. Contudo, é bem possível que nós tenhamos nos visto naquela ocasião.

SRA. MARTIN – É verdade, mas eu não estou muito certa disso, meu senhor.

SR. MARTIN – Mas não foi a senhora, minha cara senhora, a senhora me pediu para pôr sua maleta no bagageiro e que em seguida me agradeceu e me deu permissão para fumar?

SRA. MARTIN – É sim, devia ser eu, meu senhor! Que curioso, que curioso, e que coincidência!

SR. MARTIN – Que curioso, que estranho, que coincidência! Muito bem, e então, então talvez nós tenhamos nos conhecido naquele momento, minha senhora?

SRA. MARTIN – Que curioso e que coincidência! É bem possível, meu caro senhor! Contudo, acho que não me lembro.

SR. MARTIN – Eu também não, minha senhora.

(Um momento de silêncio. O relógio bate)

SR. MARTIN – Desde que cheguei a Londres, moro na rua Bromfield, minha cara senhora.

SRA. MARTIN – Que curioso, que estranho! Eu também, desde a minha chegada a Londres, moro na rua Bromfield, meu caro senhor.

SR. MARTIN – Que curioso, mas então, talvez nós tenhamos nos encontrado na rua Bromfield, minha cara senhora.

SRA. MARTIN – Que curioso, que estranho! É bem possível, afinal! Mas eu não me lembro, meu caro senhor.

SR. MARTIN – Eu moro no número 19, minha cara senhora.

SRA. MARTIN – Que curioso, eu também moro no número 19, meu caro senhor.

SR. MARTIN – Mas então, mas então, mas então, mas então, mas então, talvez nós tenhamos nos visto naquela casa, minha cara senhora?

SRA. MARTIN – É bem possível, mas eu não me lembro, meu caro senhor.

SR. MARTIN – Meu apartamento fica no 5o. andar, é o número 8, minha cara senhora.

SRA. MARTIN – Que curioso, meu Deus, que estranho! E que coincidência! Eu também moro no 5o. andar, no apartamento número 8, meu caro senhor.

SR. MARTIN – Que curioso, que curioso, que curioso e que coincidência! Sabe no meu quarto, eu tenho uma cama. Minha cama fica coberta com um edredon verde, encontra-se no fim do corredor, entre o lavabo e a biblioteca, minha cara senhora!

SRA. MARTIN – Que coincidência, ah meu Deus, que coincidência! Meu quarto também tem uma cama com um edredon verde e se encontra no fim do corredor, entre o lavabo, meu caro senhor, e a biblioteca!

SR. MARTIN – Que estranho, curioso! Então, minha senhora, moramos no mesmo quarto e dormimos na mesma cama, minha cara senhora. Talvez seja lá que nós tenhamos nos encontrado!

SRA. MARTIN – Que curioso e que coincidência! É bem possível que tenhamos nos encontrado lá, e talvez até mesmo na noite passada. Mas eu não me lembro, meu caro senhor.

SR. MARTIN – Eu tenho uma filhinha, minha filhinha, ela mora comigo, minha cara senhora. Ela tem 2 anos, é loira, tem um olho branco e um olho vermelho, é muito bonita e se chama Alice, minha cara senhora.

SRA. MARTIN – Que estranha coincidência! Eu também tenho uma filhinha, ela tem 2 anos, um olho branco e um olho vermelho, é muito bonita e também se chama Alice, meu caro senhor.

SR. MARTIN – ( com a mesma voz arrastada, monótona) Que curioso e que coincidência! E estranho! Talvez seja a mesma, minha cara senhora!

SRA. MARTIN – Que curioso! É bem possível, meu caro senhor.

Um momento de silêncio bem longo… O relógio bate vinte e nove vezes.

SR. MARTIN – (após refletir longamente, levanta-se lentamente e, sem se apressar, dirige-se até a Sra. Martin que, surpresa com o ar solene do Sr. Martin, também se levantou, muito suavemente; o Sr. Martin fala com a mesma voz singular, monótona, vagamente cantante) Então, minha cara senhora, creio que não há duvida, nós já nos vimos e a senhora é minha própria esposa… Elisabeth, eu reencontrei você!

SRA. MARTIN – (aproximando-se do Sr. Martin sem se apressar. Eles se abraçam sem expressão. O relógio soa uma vez, muito forte. A batida do relógio deve ser tão forte que deve fazer os espectadores se sobressaltarem. O casal Martin não a ouve.)

Donald, é você, darling!

Às vezes nos comunicar exige um esforço grande demais para diálogos sem sentido.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

QUADRÚPEDE OU SÓ OS CÃES SÃO FELIZES


Ser feliz é um cachorro comemorando a sua chegada por pior que tenha sido - pra ele - o momento da sua saída. Ser feliz é ser cão e acreditar que o dono cruel de manhazinha, vai voltar pra casa carinhoso e devotado à noite. Porque aquele dono que saiu batendo portas e o trancando no quintal é só um rascunho feio do verdadeiro dono, que o leva pra passear e o coloca nos braços como uma criança. Porque quando esse dono está bravo, ele acha que é o cão que deve ser contido e trancado no quintal. Ainda bem que esse desenho feio do dono aparece de vez em quando, não muito.

O cão é que é feliz quando, exultante, celebra com o mais emocionado e sincero abanar de rabo a chegada do dono em casa. E quando está tudo bem, mesmo que ele tenha se portado mal, revirado o lixo ou comido mais um pé de Havaianas. O tempo pra ele é o da volta, não o instante da briga. A felicidade é quadrúpede porque para os cães - felizmente - não foi dada a cruz do JULGAMENTO. Eles amam e pronto. IN-CON-DI-CIO-NAL-MEN-TE. Meu cão tem me ensinado tanto sobre generosidade, tanto sobre amar. Ele nunca deiste de subir na cama por mais 'nãos' que receba e obedeça cabisbaixo. Mas hoje ele vai dormir comigo e deitar nas novas fronhas que ganhei de um outro amor.

terça-feira, 15 de julho de 2008