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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

VAI

"...o que vês,
escreve-o num livro,
envia-os às 7 igrejas..." apoc 1,11

Estou com uma luz piscante há tempos ali, nalgum lugar entre as orelhas, me empurrando para páginas em branco, desejosas do bailado macio de canetas em sapatilhas de ponta. Se faltar assunto, serve também olhar o calhamaço de folhas, guardanapos e pedaços de papéis anônimos que guardam textículos, fragmentos de idéias, idéias, frases e um ou outro pensamento escorregadio que ali caiu. Às vezes é quase impossível não anotar um pensamento. Quando estou muito enlouquecido, eles escapam dos meus ouvidos como nuvens de vapor; não tenho como vedá-los, e mesmo se quisesse, eles escapariam pelos meus dedos, quentes, gasosos e rarefeitos.

Mas esses não são mesmo os melhores. São quase impossíveis de registrar e duram quase nada na folha. Gosto dos que escorrem pelos ouvidos e dos que caem como maçãs maduras. Os que escorrem, encontro pela manhã, espalhados pelo travesseiro como decalques. Palavras, um punhado delas. Os sólidos, descem pelo pescoço, escorregam pelo ombro, contornam o cotovelo, guiam o punho, se apropriam da minha mão e me fazem escrevê-los todos. Até acabar. Até que o silêncio das juntas e cartilagens digam fim.

Tomo ar para começar.

Vou escrever um livro.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

P.U.E.D.O.E.S.P.E.R.A.R.M.A.S.Q.U.E.T.U.

O que é o tempo? Como o medimos diariamente sem a ajuda de relógios e marcadores automáticos? A cada segundo nos fragmentamos um pouco, partículas de nós já foram devoradas pela acidez do oxigênio, por ácaros famintos e anônimos e pelo tempo. Mas o tempo é uma linha, ele leva e traz, ele condena e absolve, ele oxida e aprimora o que somos, o que vivemos e os vestígios que deixamos na nossa desfragmentação ou por assim dizer, vida.

Ir aonde o tempo pudesse dar uma pequena folga, um slow motion, onde houvesse um buraco de fechadura onde qualquer um pudesse olhar tranquilamente relíquias da infância. Olhar com saudade coisas que viajaram no tempo e é bom poder ver de novo. Porque somos feitos do que realizamos no passado e do que planejamos para o futuro. E só conseguimos vislumbrar esse futuro com base nos vestígios que carregamos conosco. Pondo na estante coisas que fizeram parte de uma época importante para nós ou mesmo que não a tenhamos vivido. Elas nos inspiram e nos tensionam como a um estilingue. Recuar no tempo é um impulso para o futuro.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

DESIGN FACTOTUM

Hoje peguei uma dessas senhas em papel e meu número era 723. Custa U$50 na Supermarkethq.com

Pra dormir mais gostoso só pondo uma família de periquitos no ninho bem no meio da cama. Custa U$15.000 e é feita sob encomenda. A sua será única. Agora quero ver é ter sono esperando a fatura de 15 paus no cartão de crédito...Se bem que se tiver esse aqué, vai dormir na suíte presidencial do Plaza Athenée.

Uma graça, não? Pode ser útil em várias ocasiões, cabe na bolsa e na mochila é leve e durável. Custa só U$ 2,50 na SpoonSisters.com