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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

QUASE COISA

Durma-se com um barulho desses. Na cabeça uma ladainha de 12 meses que não cansa. O zumbindo intermitente dos ouvidos soa como bálsamo quando, distraída, a cacofonia de vozes, lamentos, lembranças melódicas e sussurros traiçoeiros descança temporariamente no fundo movediço do meu córtex dormente. Queria ser outro, queria ser parecido comigo novamente.

Queria que saísse de mim toda essa pele que não me serve mais. Unhas, escamas, dentes e penas também. Esse ano impregnado como lodo, essa quase fé, quase esperança enevoada, indo e voltando sem nunca se mostrar completamente. E o gosto de nicotina rejeitada emplastrado nas papilas degustativas cansadas de dizer quero, não quero.

Nunca dormi tão bem. Talvez por querer dormir sem parar. Apagar os dias e vivenciar o vão entre dormir e estar acordado me sentindo inteiro, apto, disposto e confiante. Esse ano saindo como um escarro que não me deixa respirar. Essa quase coisa que me prende e me deprime e me enoja e me choca e me assusta. Daí fazer o amor (?) parecer com algo indecifrável e ameaçador. Talvez não tenha aprendido nada. Talvez seja só isso mesmo. Ou mais: tentar achar sentido numa coisa que simplesmente não faz nenhum.

Cachorro atrás do rabo, insetos em volta da lâmpada.

Não, obrigado.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

"ELE VOLTOU...

O boêmio voltou novamente
Saiu daqui tão contente
Porque razão quer voltar?"

Com doze anos nas costas eu tinha horror a Nelson Gonçalves. E minha minha mãe o punha a cantar a todo pulmões nas tardes mais enfadonhas de domingo...

Quem diria que anos mais tarde eu iria adorá-lo e levaria minha mãe de surpresa a um de seus últimos shows. Foi mágico. E ele com seu copo curto e pesado cheio de uísque. Mas bebia com discrição e até com um certo pudor atrás das cortinas laterais da sala Villa-Lobos no Teatro Nacional de Brasília.

Quem diria que eu estaria escrevendo este post. Nem eu mesmo. Acho que senti necessidade de justificar o porquê do trecho da música que ele interpretava tão bem. Também pelo meu pai que era um misto de Nelson Gonçalves e algum personnagem de seriado policial com seus Ray Bans de lentes verdes e aros dourados. Ninguém chegava perto destes óculos lá em casa...

Não sei porque escrevo esse post. Talvez só pra estar escrevendo mesmo e lembrando de coisas que vão surgindo no digitar das teclas deste meu Mac cambaleante. Eu sempre penso num título pras coisas que escrevo e aí vou seguindo o mote.

Tinha pensado que iria escrever sobre a minha volta a Brasília e minha volta de Brasília no último mês. Mas não. Vieram outras coisas...Vai ver estou virando alguma espécie de escriba psicográfico. Sei lá.

É o que tem pra hoje...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

TIC TAC TIC TAC

Um mês e pouco sem postar. Calendários não tiram férias, amigos. Nesse meio tempo, tempo e meio, andei ocupado buscando palha, lama e gravetos para o meu ninho. Ele tem se configurado a cada dia. Dele vou alçar outros vôos, vou buscar outras memórias. Em breve meu ninho estará pronto e quero receber todo mundo lá.

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Tem novo artigo meu na Junior 07 que acabou de chegar às bancas. Lê e me diz se é melhor eu tentar a carreira de cantor de karaokê.

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Trabalhando também no projeto de um bar novo de amigos antigos. Levante suas carcaças e apareça lá. Vocês vão ficar sabendo. Psssssiu.